Berlim, 17 set (EFE).- O ministro alemão de Exteriores, Guido Westerwelle, disse que as declarações do presidente francês, Nicolas Sarkozy, que assegurou que a Alemanha desmantelaria os acampamentos de ciganos em seu território, foram fruto de um "mal-entendido", e negou categoricamente esta possibilidade.
"A chanceler (Angela Merkel) expressou publicamente e me informou pessoalmente como foi o desenvolvimento da conversa" com Sarkozy sobre esse assunto, disse Westerwelle, garantindo que "um anúncio assim nunca existiu" em declarações à emissora televisiva pública "Deutschlandfunk".
Perante o escândalo surgido na cúpula da União Europeia (UE) em Bruxelas nesta quinta-feira, Westerwelle recomendou que a França respeite o direito europeu, embora também tenha defendido o Governo desse país perante acusações severas.
"Encurralar a França na esquina dos crimes da Segunda Guerra Mundial é absolutamente inaceitável e ofensivo, e provavelmente causou a forte reação do presidente francês", comentou o chefe da diplomacia alemã.
A chanceler alemã, Angela Merkel, desmentiu na quinta-feira, através de um porta-voz, ter falado com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, sobre o desmantelamento de acampamentos de ciganos também na Alemanha.
A questão não foi abordada pela chanceler nem na cúpula de líderes da UE nem em conversas com o presidente francês, afirmou o porta-voz governamental, Steffen Seibert, de volta a Berlim após a reunião em Bruxelas.
O presidente francês disse que a própria Merkel tinha expressado essa intenção durante a cúpula de chefes de Estado e do Governo da UE em Bruxelas.
Sarkozy queria deixar claro que outros Governos europeus compartilham sua rejeição a esse tipo de acampamentos, cuja evacuação na França causou polêmica em torno das expulsões de ciganos romenos e búlgaros do país.
"Veremos que efeito tem isso na vida política alemã", assinalou Sarkozy, a perguntas sobre a polêmica levantada na França.
O presidente francês assegurou ainda que continuará desmantelando "todos os acampamentos ilegais" do país independente de quem sejam as pessoas que os habitem. EFE
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