"Venho observando através dos anos de prática umbandista e de convívio de terreiro, a enorme confusão que as pessoas fazem em relação a o que pode ou não ser considerado um terreiro de Umbanda.
Infelizmente, esquecendo-se que a premissa básica é a caridade que se pratica no local, o que determina que seja Umbanda, começam a confundir fundamentos com elementos de rito (ou culto), assim, tal qual senhores da verdade e profundos conhecedores, do que não sei até hoje, rotulam os nossos terreiros de umbanda isso, umbanda aquilo, umbanda aquilo outro, como se tivessem o direito de fazê-lo.
Visando auxiliar na minimização de barbaridades que são ditas é que tenho a ousadia, me perdoem os mais velhos, de encaminhar esse artigo.
Em primeiro lugar é fundamental estabelecermos algumas premissas básicas para o perfeito entendimento do que estou querendo passar e isso diz respeito a diferenciação do que seja “fundamento” de “elemento de rito”.
Fundamento: é tudo que existe velado, ou não, no terreiro que “fundamenta” e direciona o trabalho. Estabelece as linhas de forças trabalhadas e cultuadas, assim como a missão da Casa. Ou seja, interfere e determina o resultado final dos trabalhos realizados. É estabelecido pelo Alto. Exemplo: firmezas ou pontos de força estabelecidos no Congá.
Elemento de Rito: é tudo que existe, velado ou não, que presente ou não, não interfere no resultado final dos trabalhos e nem na missão da Casa. É estabelecido pelo sacerdote.
Clarificado isso, entro agora no ponto que gostaria de falar. O que determina realmente se um terreiro é de Umbanda?
Acredito que já esteja mais do que claro que Umbanda e Candomblé são religiões distintas que guardam muito mais diferenças do que semelhanças. Já o Omolocô, ou Umbanda traçada, ou umbandomblé, ou seja lá o nome que se queira dar a essa forma diferenciada de religião, é que costuma confundir os médiuns iniciantes.
Citarei alguns exemplos, sempre me referindo a umbanda por ser essa a minha religião, das demais nada entendo e nem me vejo na obrigação de entender, já que sou de umbanda.
Ø na umbanda o atabaque é elemento de rito, ou seja, a presença ou não do atabaque NÃO interfere no RESULTADO final do trabalho. A gira pode ficar, e fica mesmo, mais alegre, mais “vibrante”, mas o resultado final é o mesmo. As entidades incorporam e fazem seu trabalho da mesma maneira.
Ø as roupas (saias rodadas, etc.) são elemento de rito, o fato de serem brancas é que é fundamento, ou seja, se as mulheres trabalham com “baianas” rodadas ou sem roda, ou de jalecos não interfere no resultado final do trabalho. As roupas coloridas podem ser usadas em giras festivas. Vai da preferência do sacerdote.
Ø Sacrifício de animal não é fundamento e muito menos elemento de rito da umbanda, entretanto é e tem fundamento em outras religiões.
Digo tudo isso porque já foram rotulados de “não umbanda” alguns centros espiritualistas porque têm atabaques e porque usam baiana (saia rodada) e ojá (turbante). Óbvio que tudo isso é elemento de rito!
Já foram rotulados de “umbanda branca” e de “fraquinho” porque não fazem sacrifício de animais e nem “devolvem trabalhos” ou fazem “trabalhos de amarração”. Isso é mais do que fundamento, é respeito ao livre arbítrio!
Outros já disseram que alguns centros espiritualistas parecem uma igreja evangélica porque usam microfone. Vão cantar num terreiro grande sem microfone prá ver se têm voz no meio da gira!!! Ah!!! O uso do microfone não é fundamento, nem elemento de rito, tá?! E eu sei que Orixá não é surdo, entretanto as pessoas não escutam o que se diz e nem o que se canta num terreiro grande. Bem, já foram criticados alguns centros espiritualistas até por ter ventilador no terreiro!!
Esses simples exemplos servem apenas para ilustrar o que estou querendo dizer, diretamente aos médiuns que estão acostumados a criticar e rotular os terreiros dos outros, pois se acham os donos da verdade e adoram dar “conselhos” aos menos esclarecidos. Ah... Vaidade! Ah... Prepotência!!
É tão fácil e simples saber ou detectar se um terreiro é de umbanda ou não... Há caridade? Não há cobrança por trabalhos, consultas ou passes? Não há sacrifício de animais? Então é umbanda. Fácil, não?
O resto... Bem o resto (quase tudo) é elemento de rito. O que é o “quase tudo”? Perguntem ao seu dirigente, ele certamente sabe!
No mais, vamos tomando nossos banhos, fazendo nossas orações, pegando nossas guias, e vamos trabalhar porque a umbanda precisa é de médiuns mais preocupados em servir do que de juízes e não necessariamente médiuns fazendo parte da gira mas sim do terreiro de alguma forma às vezes até sem estar fisicamente presente. Não acreditam em mim? Então perguntem para qualquer preto velho ou caboclo, porque são eles que fazem um terreiro de umbanda.NOTA IMPORTANTE: ARTIGO ENVIADO PELA TATI FRACASSO.
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